Pular para o conteúdo principal

Teoria XV - Patriotismo verdadeiro, tem que ser às avessas!

Um jeito diferente de encarar o patriotismo!


Entendo e não tiro a razão de ninguém quando reclama que o Brasil é um país que não toma jeito, que é cheio de "espertinhos", ou melhor, "espertalhões", mas ainda sou muito patriota e vou explicar o motivo.

Penso que é nosso dever tentar, diariamente, fazer um Brasil melhor. Não adianta apenas apontar a problemática, é preciso trabalharmos também na "solucionática" (parafraseando o genial Dadá Maravilha).

O Brasil tem muito concerto, mas chegou a hora de ter conserto também.

Certamente, mesmo sendo mais pobres que o Brasil, há muitos países na América Latina que oferecem muito mais condições de crescimento profissional. Tem piores? Claro que tem... mas também tem muitos melhores e com o PIB (Produto Interno Bruto) irrisório comparado ao nosso.

Aliás, tinha um amigo meu que dizia sempre: "nada contra ser brasileiro, mas acho que se fosse paraguaio, minha vida seria mais fácil". Pior é que acho que ele tem razão, viver no Paraguai deve ser muito mais fácil que no Brasil, apesar de tudo.

Mesmo assim, sabe por que ainda sou patriota?

Simples... porque penso no patriotismo de maneira invertida ao da maioria dos brasileiros (cujo patriotismo é coisa abstrata, intangível, mero fundamento de um governo autoritário).

Meu patriotismo é estilo japonês. Minha pátria começa primeiro com as coisas que mais amo:
1- Minha mulher e futura filha;
2- família e amigos;
3- meu lar;
4- meu trabalho;
5- meu bairro;
6- minha cidade;
7- minha microrregião;
8- meu estado;
9- minha região;
10- meu país.

Nesta ordem de prioridades, eu sou o homem mais patriota do mundo (risos). Sei que quando defendo a minha família (como um todo) estou defendendo um modo de vida que é digno e correto. Estou defendendo os exemplos que tive em casa, a minha personalidade, o meu caráter. Isto não quer dizer que eu não erre. Aliás, eu erro muito, mas sempre tentando acertar. Não há remorsos ou arrependimentos quando defendo estas minhas "riquezas" daqueles que só querem sugar a nação.

Por isso ainda não perdi a esperança, quero muito construir uma pátria melhor... mas pelo jeito vai ser nesta ordem, pra chegar até o país, vou ter que melhorar primeiro minha família, meu lar, meu trabalho e assim por diante, até que tudo que fizer repercuta nas instâncias superiores e finalmente melhore o Brasil.

Este é o patriotismo que defendo, o patriotismo dos exemplos, um patriotismo realmente concreto. Quando o patriotismo é baseado em uma ficção, em um sentimento que não se sustenta, ele irá se desintegrar.

Os kamikazes (pilotos suicidas japoneses) não se atiravam aos navios americanos com seus aviões-bomba por causa do imperador. O faziam, porque sabiam que um país derrotado em guerra ao ser colonizado, enfrentaria a barbárie do vencedor e assistiria suas crianças morrerem e mulheres serem estupradas nas mãos do inimigo.
Isso explica porque preferiam morrer defendendo suas famílias da invasão ocidental, a ver o país colonizado. No fundo, tudo que fizeram foi em defesa da família... ao proteger o modo de vida japonês, estavam protegendo a pátria.

Na minha singela opinião este é o verdadeiro patriotismo, qual seja, aquele que nasce de baixo para cima (às avessas como disse). Este patriotismo brasileiro (de cima para baixo) que aprendemos nas aulas de Educação Moral e Cívica não é legítimo, e não passa de resquício da ditadura, pois na realidade não se está defendendo a pátria, mas apenas ideias nacionalistas. Em suma, de cima para baixo, não é patriotismo é apenas nacionalismo.

Diante deste paradigma apresentado, que tal começarmos a fazer um lar melhor, solucionar os problemas dos círculos mais próximos e gradativamente, nos associarmos para a construção de um Brasil melhor.

Tenho certeza que começando pelo nosso "quintal" a gente dá um jeito até em Brasília!

Um abraço e até a próxima teoria.


Elvis Almeida

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Teoria VIII - Quem tem tempo... "caga" longe!

Uma das piores coisas, é quando vem aquela dor de barriga, e o banheiro mais próximo é público (e fedorento) e não há alternativa nenhuma a não ser utilizá-lo. O bom mesmo é escolher a "moita" com calma, que seja bem limpinha e escondida, para podermos "arriar a massa" tranquilamente, não é verdade? Mas quando não dá pra esperar, a gente acaba indo no local mais perto. Certo? Então... estamos diante da primeira consequência da pressa: uma tremenda "cagada"! Já quem é menos afoito (seja porque quer ou porque pode ser meticuloso) consegue fazer as mais incríveis façanhas. Este bordão "Quem tem tempo... caga longe!", um dos preferidos do meu irmão, é frequentemente utilizado por ele para ilustrar os "causos" de pessoas que conseguiram alcançar objetivos que custam muito tempo de dedicação. Também é ótimo para descrever a atividade dos "hobbystas" (com todo respeito, pois também tenho meus "hobbies"), afinal, o

Nota sobre a aprovação da Câmara sobre o Marco Civil da Internet

Mais burocracia e pouca solução aos verdadeiros problemas da Internet brasileira. Hoje foi aprovado pela Câmara dos Deputados o projeto de Lei que institui o Marco Civil da Internet Brasileira. A proposta ainda segue para o Senado que pode alterar significativamente o projeto de lei. Pode, mas acredito que não vai. Até porque, ultimamente Senado tem andado muito "entrosado" com o Governo e este quer celeridade nas votações. Analisando superficialmente a questão, já consigo de "prima" verificar que além da tradicional burrada de achar que tudo se resolve através de lei e com criação de sanções cíveis, administrativas e criminais (aqui ainda mais absurdo), o texto demonstra que foi elaborado por gente que não entende nada de Internet. Esperamos que as negociações do Planalto com o Senado não forcem a continuar com um texto tão imaturo, ou ainda pior, que se adicionem emendas que piorem ainda mais o texto original. A meu ver a tão divulgada "neutralidade&

Teoria XVI - A difícil escolha entre cocô e bosta

Quem conheceu meu avô, Sr. Funico, conta que apesar de pouca instrução, era um sujeito muito sábio. Frequentemente era procurado por mais jovens, que buscavam aconselhamento sobre os mais diversos temas. Diz a lenda que quando dava seus conselhos, ele sempre aproveitava para emplacar um de seus brocardos, sendo que alguns chegavam a ser verdadeiras pérolas. Hoje falarei sobre um, que apesar de não ser o seu preferido, tem tudo a ver com o momento em que vivemos. Não é raro, diante da realidade fenomênica, termos apenas duas opções de escolha, seja em relação à um produto, um candidato nas eleições, um caminho a seguir... etc. Também não é raro, encontrarmos situações, que apesar de mais de uma opção, tudo não passa de "mais do mesmo". Melhor dizendo, nenhuma das alternativas é satisfatória. Ou todas são ruins, ou ainda que não inteiramente sofríveis, as escolhas sempre levarão a uma consequência indesejada. Nestas situações meu avô dizia: "Entre cocô e bosta, não