quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Publicação no Recanto das Letras

Caros amigos e leitores,

desde o dia 11 de agosto de 2010, comecei a publicar alguns textos também no portal Recanto das Letras.

A partir de agora também será possível verificar as publicações no endereço:

http://recantodasletras.uol.com.br/autores/elvisalmeida

Um abraço e até a próxima!

Elvis Almeida

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Insônia*

Não conseguia dormir...
tudo me despertava,
tudo me assustava.

Depois de horas de insônia...
A mente mais sã,
se torna insana.

Em meu quarto ouvi,
um tilintar bastante agudo,
assustado levantei
por todo o cômodo busquei... encontrei...
era minha calça boca de sino,
que ao vento balançava,
em cima do criado mudo.

Me deitei novamente,
e de repente,
ouvi um estrondo... e num giro
assustado levantei
por todo o cômodo busquei... encontrei...
era minha bota cano curto,
que o vento derrubou,
disparando um tiro.

Uma calça que tilintava,
uma bota que atirava,
só podia ser coisa da minha mente...
O delírio aumentava,
vi o jacaré da minha camiseta do pantanal
nadar no azul piscina da minha camisa social...
estava demente.

Rapidamente...
fechei a janela para evitar o vento,
juntei todas as roupas e pus no assento,
e deitei novamente.

De repente...
mais uma vez o silêncio foi interrompido,
por um som diferente,
um forte gemido... de prazer... não era dor
Destemido... me tranquilizei ao constatar
que era a porta que dava para o corredor!

Ainda sem sono, voltei a deitar.


Elvis Almeida

* Este texto foi baseado numa anedota bem antiga ouvida na infância (desconheço a autoria, quando descobrir farei os devidos créditos), que transformei em versos.

domingo, 8 de agosto de 2010

Uma disputa verbal (Guerra das proparoxítonas)

De forma poética,
quase profética,
discursava a Ética.

Totalmente pragmática,
quase analítica,
rebatia a Crítica.

"Seu pensamento é retórico... é frígido!"
praguejou a Ética.
"O seu é hermético, não é dinâmico!"
retrucou a Crítica.

"Suas palavras são mecânicas,
apesar de analíticas, são esdrúxulas!"
respondeu a Ética em tom exaltado.

A Crítica foi implacável e ríspida:
"Suas reflexões são completamente raquíticas,
nada artísticas. Menos ainda científicas!"
E não parou por aí:
"Não é flórida. É mera estética!"

A Ética não pensou duas vezes e abusou da lógica:
"Sou máxima... você mínima!
Sou ânimo... você anônima!
Isto mesmo... não perca sequer uma sílaba...
Sou cândida... você ávida!"

A Crítica ficou tácita,
não conseguiu lançar sua última.
A Ética apesar de enérgica,
também perdeu a tônica.

Depois de um longo silêncio
e do fim das proparoxítonas,
Ficaram atônitas e fizeram as pazes,
como convém a política.

Elvis Almeida

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Rapsódia* sobre um poema de Carlos Drummond de Andrade

O MUNDO É GRANDE**

O mundo é grande, gigante...
imenso...
O mar é grande, imponente...
denso...
E o amor?
Também é grande, gigante, imponente...
imenso, denso...
radiante... às vezes tenso.

Dor gostosa de sofrer
coceira boa de coçar
alegria de viver
lágrimas para chorar.

Energia... magia...
emoção... comoção...
ousadia e letargia...
sensação... às vezes sem razão.

O amor é assim... grande...
tão grande quanto o mundo...
tão grande quanto deve ser.

Elvis Almeida


* Rapsódia, originalmente, é uma peça musical onde o autor homenageia outro compositor fazendo variações sobre o tema original.
** O Mundo é Grande, é um dos mais belos poemas de Carlos Drummond de Andrade, um dos maiores poetas já vividos, tão grande como o próprio mundo que descreveu. Saiba mais de sua vida e obra em http://carlosdrummonddeandrade.com.br/.

Como sou muito fã de Drummond resolvi homenageá-lo com estas singelas linhas. Dedico esta ousadia à minha querida esposa.
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